FIDELIDADE E ESPERANÇA
DEUS VIVO
Entendendo o livro de Daniel
Olá, irmãos e irmãs na caminhada bíblica. Mais uma vez estamos com vocês e, neste vídeo, vamos conhecer o livro de Daniel e um pouco da vida das comunidades que receberam esse livro.
Somos a equipe que preparou o material: o livro “Fidelidade e Esperança no Deus Vivo” e o subsídio “Bíblia Gente”, com introdução e cinco roteiros para círculos bíblicos. O livro pode se adquirido nas Livarias Paulus e o Bíblia gente no seguinte site: https://www.cbiblicoverbo.com.br/producoes
Na preparação deste material, começamos refletindo sobre as dificuldades que nosso povo encontra ao ler o livro de Daniel. Normalmente, ao abrir esse livro, as pessoas se deparam com imagens e narrativas fascinantes, mas também desafiadoras para a compreensão. São textos cheios de símbolos, sonhos, visões e figuras misteriosas, que muitas vezes causam estranhamento ou até medo.
Vejamos alguns exemplos:
É verdade O livro de Daniel continua mexendo com a imaginação das pessoas e provocando várias interpretações. É um livro construído com narrativas fictícias, novelas, alegorias com visões e sonhos. Esses elementos são os principais recursos e características da literatura apocalíptica. O livro de Daniel como o livro de Apocalipse é considerado por muitos como uma das obras mais enigmáticas, simbólicas e "estranhas". Por isso, é importante saber o que é a literatura apocalíptica:
A- Apocalíptica, revelação: A palavra “apocalipse” significa revelação (Ap 1,1-2). Todo escrito apocalíptico supõe uma revelação de Deus sobre a história, o mundo, o fim dos tempos, o futuro e a intervenção divina. O livro de Daniel apresenta uma análise da história e projeta o futuro do povo judeu perseguido pelo Império grego.
B - Fidelidade, resistência e esperança: essa releitura da história, feita a partir de escritos simbólicos, de contos populares, sonhos e visões, era compreensível para o povo da época e a principal função era alimentar a fidelidade, a resistência e a esperança em Deus, que age na história do povo perseguido e sofrido.
C- Impérios e o povo fiel a Deus: a apocalíptica considera a realidade um campo de batalha entre o bem e o mal. O bem representa os justos e fiéis a Deus, e o mal, os impérios poderosos e perversos. O movimento apocalítico surgiu a partir da dominação dos grandes impérios como Babilônia, Pérsia e Grécia.
Por isso, é importante saber em que época e qual a realidade sofrida na qual o livro de Daniel surgiu. O livro de Daniel foi escrito como estivesse no tempo da Babilônia e da Pérsia, inclusive cita os reis Nabucodonosor (Dn 3,1) e Dario (Dn 6,1). Mas o “o ídolo abominável”: mencionado em Dn 8,13; 9,27; 11,31; 12,11a refere-se a algo que só aconteceu no período de Antíoco IV, imperador dos gregos (175-164 a.C.), foi ele que profanou o Templo, com a construção de um altar a Zeus Olímpico sobre o altar dos holocaustos, que, que inclusive é citado em 1Mc 1,54 como “abominação da desolação”. Também a referência ao martírio dos “homens esclarecidos” (Dn 11,33-35; cf. 1Mc 1,56-64) retrata a perseguição no tempo de Antíoco IV. De fato, a dominação imperialista atingiu o auge com Antíoco IV querendo impor a maneira de viver e pensar do Império grego, enfraquecendo e proibindo a cultura e a religião judaica. O livro dos Macabeus relata que “o rei mandou a Jerusalém e às cidades de Judá um documento com várias ordens: tinham de adotar a legislação estrangeira; proibia oferecer holocaustos, sacrifícios e libações no santuário e também guardar os sábados e festas, mandava contaminar o santuário...etc. Quem não obedecesse à ordem do rei, morreria” (1Mc 1,44-45.50; cf. Dn 11,31). O livro de Daniel surgiu nesse período.
Muitos judeus se submeteram ao decreto de Antíoco IV (1Mc 1,43.52), Outros porém resistiram, como o grupo de Matatias e seus filhos, os macabeus (1Mc 2,1-48). A revolta dos Macabeus teve o apoio do grupo dos piedosos, os “hassidim” ou assideus (1Mc 2,42), homens fiéis e devotos à Torá e às tradições judaicas. Mas uma parte desses piedosos era contrária à luta armada, e pregavam a resistência religiosa pela fidelidade ao Deus vivo e à sua Torá (Dn 11,32-35). Provavelmente é este grupo que está por trás do livro de Daniel.
O livro de Daniel surgiu na dominação e perseguição do império grego contra a comunidade judaica no reinado do Antíoco III. Mas quem escreveu o livro? O nome Daniel significa “Deus é meu juiz” ou “Deus faz justiça”. O autor do livro adotou o nome “Daniel”, que lembra a tradição dos justos, citada no livro de Ezequiel 14,14.20.
Como já foi mencionado, historicamente o livro de Daniel é escrito pelo grupo dos piedosos, “homens esclarecidos”, citados em Dn 11,35; 12,3. O livro salienta a importância de ser fiel às tradições judaicas, mesmo correndo risco de morte como está escritos em Dn 3,19-21; 6,17-18. Com novelas, visões fascinantes, os piedosos junto com o povo sofrido escreveram o livro de Daniel, para alimentar a fidelidade, a resistência e a esperança dos judeus sofridos na perseguição de Antíoco IV.
Dando sequência ao parágrafo anterior, o livro de Daniel foi escrito em um tempo de grande sofrimento para o povo judeu. Em meio à perseguição e à tentativa de apagar sua identidade religiosa, esse livro surgiu para fortalecer a fé e recordar que nenhum império é eterno.
O livro de Daniel está dividido em duas partes, além de dois acréscimos presentes na versão grega. A primeira parte (Dn 1–6) reúne histórias de Daniel e seus companheiros na corte de reis como Nabucodonosor e Dario. São relatos de resistência e fidelidade. Mesmo pressionados pelo poder imperial, eles permanecem fiéis à Lei de Deus e às tradições de Israel. É nesse contexto que aparecem episódios como a fornalha ardente e a cova dos leões.
A segunda parte (Dn 7–12) apresenta visões simbólicas e apocalípticas. Os grandes impérios da história surgem como feras poderosas, representando Babilônia, Média, Pérsia e Grécia. A mensagem é clara: assim como os impérios do passado caíram, também cairá aquele que naquele momento oprimia o povo judeu. O livro de Daniel convida, portanto, a fazer memória da ação de Deus na história para alimentar a esperança no presente.
Os acréscimos gregos incluem a história de Susana, em que Daniel salva uma mulher inocente e a história de Bel e o Dragão, em que ele desmascara falsos deuses. Esses relatos reforçam a importância da justiça, da verdade e da fidelidade a Deus. Um detalhe importante é que o livro foi escrito em três línguas: hebraico, aramaico e grego. Isso mostra que sua mensagem atravessou diferentes épocas e continuou sustentando a esperança de muitas gerações.
No subsidio que preparamos “Entendendo o livro de Daniel” e o Bíblia Gente, queremos oferecer um caminho simples e profundo para conhecer, rezar e atualizar a mensagem desse livro tão atual. Para aprofundar essa leitura orante, escolhemos algumas passagens que apresentam os principais temas do livro de Daniel e que podem lançar luzes sobre a nossa realidade pessoal, comunitária e social.
O Primeiro tema: Resistência contra a acumulação imperialista (Dn 4,1-34). O capítulo narra o sonho de uma árvore gigantesca que cresce até tocar o céu. A imagem representa o projeto dos grandes impérios, marcado pela acumulação de riqueza e poder às custas da vida e do bem comum da maior parte da população.
O Segundo tema: Resistência aos ídolos e à idolatria do Império (Dn 3,1-23.91-97). Neste encontro vamos dialoga a partir de com Dn 3,1-23.91-97. Nesta citação bíblica, o autor conta a história da adoração da estátua de ouro de 30 metros de altura e dos três jovens na fornalha. A história é uma crítica contra os ídolos e a idolatria a serviço dos governantes injustos. E salienta a fidelidade das pessoas ao projeto do Deus Vivo na história, despertando para uma sensibilidade maior com as necessidades das pessoas ao nosso redor.
O Terceiro tema: Fidelidade ao Deus vivo, criador e defensor da vida (Dn 6,2-29). Trata da história da adoração do rei divinizado e de Daniel na cova de leões. Diante da proposta de tantas divindades e cultos que promovem a insensibilidade social, reafirmamos nossa fé no Deus vivo e acreditando que Ele age em nossa vida.
Quarto tema: O Filho de Homem irá instaurar o Reino de Deus (Dn 7,9-14). E o texto reforça: um reino que será eterno. Nesse encontro, vamos refletir e retomar o sonho de uma sociedade igualitária, autônoma e justa. E isso depende da resistência de cada pessoa aos projetos de dominação dos poderosos. É fundamental promover a equidade e combater a pobreza e a marginalização.
Quinto tema: A espera ativa pelo reino de Deus na história. O livro de Daniel nos recorda que a esperança cristã não é passiva nem acomodada. Enquanto aguardamos a plena realização do Reino de Deus, somos chamados e chamadas a viver uma esperança ativa, comprometida com a justiça, a verdade e a defesa da vida. Daniel anuncia que Deus não abandona os seus filhos e filhas, mesmo em tempos de sofrimento, perseguição e tribulação.
Atualização: O estudo do livro de Daniel nos ajuda que a reconhecer a mentalidade imperialista promove uma sociedade doente e adoecedora. O individualismo exacerbado diminui as relações pessoais e promove o exibicionismo virtual, o consumismo e a insensibilidade para com o outro e a outra. As igrejas se perdem no ritualismo, no moralismo e na hipocrisia, cultuando Deus sem se preocupar com as desigualdades e as injustiças sociais e suas vítimas. Não há espaço para manifestação, escuta e acolhimento das pessoas que sofrem... Pessoas procuram igrejas para serem abençoadas com riqueza e prosperidade e não para se tornarem pessoas melhores, mais solidárias, fraternas e amorosas. Buscam um Deus do poder, um Deus do império, um Deus muito mais próximo do Deus elite judaica que prendeu, condenou e matou a Jesus, do que do Deus de Jesus de Nazaré. Que o estudo do livro de Daniel nos ajude a perceber isso e a perceber que o império é um gigante que tem os pés de barro, que promove uma enorme concentração de riqueza e poder nas mãos de cada vez menos pessoas, aumentando a desigualdade e a destruição da natureza. Estes são seus pés de barro. Que a leitura de Daniel nos ajude a reencontrar o culto ao Deus de Jesus, o culto ao Deus Vivo, que nos torne mais sensíveis aos sofrimentos das vítimas do imperialismo, mais solidários e amorosos, mais humanos.
Ler Daniel é descobrir que o Senhor continua conduzindo a história e sustentando aqueles que nele confiam. Por isso, vale muito a pena dedicar um tempo para estudar e rezar com este livro tão rico. Uma ótima ajuda para isso é o subsídio Bíblia Gente, que, traz uma linguagem acessível, comentários explicativos e reflexões da nossa realidade.
O estudo e a reflexão do livro de Daniel trazem um apelo para sermos sinal de resistência, fidelidade e esperança no Deus Vivo. Queira Deus que a nossa vivência cristã seja contra toda e qualquer prática geradora de exclusão e de morte, provocadas pelos impérios de hoje e suas idolatrias. Que possamos assumir a resistência profética contra tudo que ameaça a vida. Como pessoas cristãs somos convocadas para construir um reino de justiça, igualdade, fraternidade e, sobretudo, de amor solidário com as crucificadas e os crucificados de hoje.
QUIZ BIBLICO SOBRE O LIVRO DE DANIEL
01- Quem escreveu o livro de Daniel? A) Nabucodonosor B) Antíoco IV C) Grupo dos piedosos (hassidim) D) Rei Dario
02- O que significa o nome “Daniel”? A) Deus é meu juiz B) Deus é fiel C) Deus é esperança D) Deus é meu pastor
03- Qual era o objetivo principal do livro de Daniel? A) Explicar leis judaicas B) Alimentar fidelidade, resistência e esperança C) Relatar guerras dos Macabeus D) Ensinar economia do Império
04- Quais impérios são mencionados como opressores? A) Egito e Roma B) Babilônia, Pérsia e Grécia C) Assíria e Filístia D) Roma e Cartago
05- O que significa “apocalipse”? A) Fim do mundo B) Revelação C) Guerra santa D) Vitória militar
06- Quem foi Antíoco IV? A) Rei da Babilônia B) Imperador grego que profanou o Templo C) Profeta judeu D) Governador romano
07- O que é a “abominação da desolação”? A) Idolatria no deserto B) Altar a Zeus no Templo C) Estátua de ouro de Nabucodonosor D) Cova dos leões
08- Quem eram os hassidim? A) Sacerdotes do Templo B) Grupo de judeus piedosos e fiéis à Torá C) Soldados gregos D) Profetas da Babilônia
09- O que simboliza o sonho da árvore em Daniel 4? A) O poder dos reis justos B) O projeto dos impérios de acumulação C) A vida eterna D) O templo reconstruído
10 - O que representa a estátua de ouro e os três jovens na fornalha? A) Idolatria do Império e fidelidade a Deus B) Vitória militar dos judeus C) Festa da colheita D) Profecia sobre Roma
11- Qual é a lição da cova dos leões? A) Deus abandona os fiéis B) Fidelidade ao Deus vivo em meio à perseguição C) Vitória militar dos judeus D) Idolatria dos reis
12- Quem é o Filho do Homem em Daniel 7? A) Nabucodonosor B) Figura que instaura o Reino eterno de Deus C) Antíoco IV D) Profeta Elias
13- O que Daniel 12 anuncia? A) Fim da Babilônia B) Salvação e ressurreição C) Reconstrução do Templo D) Vitória militar dos Macabeus
14- Em quais línguas foi escrito o livro de Daniel? A) Hebraico, aramaico e grego B) Latim e hebraico C) Grego e latim D) Hebraico e latim
15- Quais são os acréscimos gregos do livro? A) História de Susana e Bel e o Dragão B) História de Moisés C) História de Elias D) História de Abraão
16- O que representam as feras em Daniel 7? A) Povos vizinhos de Israel B) Grandes impérios opressores C) Animais do deserto D) Tribos judaicas
17 - Como o livro de Daniel fortalece o povo judeu? A) Incentivando guerra contra os gregos B) Alimentando resistência e fidelidade a Deus C) Proibindo o trabalho D) Criando novas leis
18- Qual a relação entre Daniel e os Macabeus? A) Ambos resistiram a Antíoco IV B) Daniel foi líder militar dos Macabeus C) Daniel escreveu 1 Macabeus D) Não há relação
19- O que significa dizer que os impérios têm pés de barro? A) São fortes e eternos B) São frágeis e passageiros C) São santos e justos D) São sustentados por Deus
20- Qual é a mensagem atual do livro de Daniel? A) Apoiar impérios modernos B) Resistir ao imperialismo e viver fidelidade e esperança no Deus vivo C) Buscar prosperidade material D) Abandonar a fé